Posted on /by João Carlos/ in Comportamento Infantil

TIMIDEZ INFANTIL PODE SER SINTOMA DE BAIXO AUTOESTIMA.

Uma mãe chegou muito preocupada em meu consultório. A queixa era uma timidez excessiva do seu filho, que tinha 03 anos de idade.  Segundo, ela, o alerta surgiu na escola.  Os professores relataram que o menino pouco falava, preferia brincar sozinho, evitava contato com outras crianças, chorava com frequência, além de apresentar sinais de vermelhidão na face e sudorese em determinadas situações de exposição social.  

Ao passo que avançamos no processo terapêutico com a criança, principalmente através dos testes projetivos (desenhar) e do brincar, foi possível constatar a forte ligação daquela timidez com a baixa autoestima, ocasionada, sobretudo, devido a cobrança excessiva por parte do ambiente de cuidado em sua volta.

Na maioria dos casos de timidez na infância o plano de fundo está relacionado a baixa autoestima, decorrida por relações ambientais de cobrança excessiva, sobretudo nos estágios inicias da vida.

As experiências primitivas são as mais marcantes para a formação da personalidade humana. Nesse período, a criança cria uma imagem de si a partir de um olhar da mãe, do pai, ou de algum outro cuidador que exerce tal função. Por isso, aquele que representa esse olhar tem um peso significativo na forma como essa criança se percebe.

Não se deve cobrar mais do que seu filho pode fazer. É preciso respeitar a fase do desenvolvimento emocional infantil que seu filho se encontra. O bebê não começa a andar assim que nasce. É preciso que um estado maturacional aconteça entre corpo e mente, ou seja, uma estrutura física e psicológica adequada que se integrem no espaço e no tempo.  Exercer uma “pressão” para que a criança ande, fora desse processo de maturação, pode acarretar prejuízos psicológicos.    

Segundo Donald Woods Winniccott (1896-1971), que foi um pediatra e psicanalista Inglês com grandes contribuições sobre a teoria do amadurecimento pessoal, o indivíduo tem uma tendência inata ao amadurecimento. Mas, veja bem, é uma tendência não uma determinação. Para que essa tendência venha fluir de forma espontânea, faz-se necessário um ambiente facilitador, ofertando cuidados suficientemente bons. No caso do bebê recém-nascido, por exemplo, a mãe é esse ambiente que oferta os cuidados suficientemente bons para seu amadurecimento: Afeto, nutrição e amor.

A cobrança excessiva do ambiente sobre a criança, desconsiderando suas faculdades maturacionais, acompanhado de humilhações, rótulos, gritos e chingamentos, certamente é tida como uma falha de provisão do ambiente nos cuidados com essa criança, por interferir de forma negativa no processo de formação da autoestima, visto que há a privação de algo que é fundamental para a constituição da boa autoestima: o olhar amoroso de apreciação daqueles que convivem e tem representatividade emocional na vida da criança.  

A timidez não é uma doença. Não deve ser vista como algo, por si só, preocupante. No entanto, quando ela for excessiva, é importantíssimo que os pais, professores e cuidadores atuem de forma proativa a encaminhar a um profissional da área, para constatar sua relação com a baixa autoestima e evitar, desta forma, bloqueios emocionais que comprometerá seus relacionamentos.

Atendimento de psicoterapia para criança e adolescentes (88) 9 9753 0123 (WhatsApp)

João Carlos Silva

Pai e Psicólogo – CRP11/13861

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